Amazônia Extrema

Posted on abril 2, 2016

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Amazônia Extrema

TEXTO: CAMILA FRÓIS
FOTOS E VÍDEOS: FLÁVIO FORNER

Seca no rio TapajÛs na regi„o de SantarÈm e Alter do Ch„o. FLAVIO FORNER/XIB…/INFOAMAZONIA

Seca no rio TapajÛs na regi„o de SantarÈm e Alter do Ch„o. FLAVIO FORNER/XIB…/INFOAMAZONIA

“BR-163, Amazônia paraense. Na definição dos atlas de Geografia, uma área de “clima equatorial, quente e úmido”. Há 120 dias, porém, não cai uma única gota de chuva na região. Em meio a castanheiras de 30 metros de altura, aos poucos, o caminho de Santarém, no Pará, até a comunidade Jamaraquá, na Floresta Nacional de Tapajós, é tomado por um cheiro forte de fuligem que remete a uma área acinzentada com restos de troncos há pouco carbonizados. Por duas semanas, a fumaça dissipada invade o quintal de comunidades vizinhas e toma conta das casas de moradores. Relatos de tosse, ardência nos olhos e dificuldade para respirar tornam-se frequentes.
Dias depois, ao sobrevoar a floresta, teríamos uma dimensão ainda maior do estrago na mata. Do alto, a Floresta Nacional (Flona) – com uma área equivalente a 527 mil campos de futebol – figura como uma ilha de vegetação em um mar de soja e gado, que avança sobre a selva ano após ano. Desde 1988, o Pará é líder invicto no ranking de desmatamento da região, de acordo com dados do Projeto Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Somente no último ano, a área devastada foi de 732 quilômetros quadrados. Na média, os últimos 40 anos tiveram duas mil árvores derrubadas por minuto na Amazônia.
Durante o voo, além da floresta suprimida, outro detalhe chama a atenção. A costumeira bruma matinal de vapor d’água nesta porção amazônica é substituída pela fumaça densa oriunda dos focos de incêndio. A evapotranspiração natural da floresta colabora com a formação dos chamados “rios voadores”, que viajam centenas de milhares de quilômetros pelas correntes de ar, influenciando nos índices de umidade de todo o continente. A fumaça do fogo, por sua vez, alcança as grandes cidades da região Norte. Ao invés de precipitações, dissipam dióxido de carbono e metano.”

“Para as pessoas que vivem no interior da região, assim como os moradores da bacia do rio Tapajós, é o vai-e-vem das águas que redesenha as paisagens, dita o ritmo do cotidiano e exige diferentes mecanismos de adaptação ao longo do ano. São seis meses de cheia e seis meses de seca, quando a água chega a recuar 100 metros da margem. O índice de precipitação pode variar de zero, nos meses de setembro e outubro, a 700 milímetros no mês de março, em anos de maior variabilidade – como foi 2009, em que se registrou uma grande cheia. As estiagens extremas aumentam as distâncias – dificultando o acesso e o transporte de alimentos –, provocam perdas de lavouras e deterioram a qualidade do ar.”

“O pesquisador e doutor em Geociência pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Christovam Barcellos ressalta que essa é uma realidade que deve se agravar com o aumento da temperatura previsto pelos modelos climáticos na região. A tendência, como se sabe, é global. O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) aponta que as  temperaturas continuarão aumentando e, até 2050, a média global será até dois graus mais alta do que a atual, dependendo da quantidade de gases de efeito estufa emitida. De acordo com a  Organização Meteorológica Mundial (  WMO), 2015 foi o ano mais quente já registrado desde o inicio do monitoramento, em 1880.”
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Comunidade de Marip· (Resex), sofrem com a falta de ·gua. O lago È o ˙nico recurso para surprir necessidades. Com a seca dos igarapÈs e a baixa do Rio TapajÛs prejudicam tambÈm o acesso. FLAVIO FORNER/XIB…/INFOAMAZONIA

Comunidade de Marip· (Resex), sofrem com a falta de ·gua. O lago È o ˙nico recurso para surprir necessidades. Com a seca dos igarapÈs e a baixa do Rio TapajÛs prejudicam tambÈm o acesso. FLAVIO FORNER/XIB…/INFOAMAZONIA

 

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