Desfile II – 8 de fevereiro de 2016, POR ENTRADA LETRA E MÚSICA

Posted on fevereiro 8, 2016

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21h30 – Vila Isabel
Meus olhos ficavam rasos d’água
A seca minha alma castigava
O sol queimava e rachava o chão
Os carcarás pousavam no sertão
Cresci sonhando renovar os sonhos
Revitalizar a vida
Que se equilibra sobre a palafita

Dar pra gente mais sofrida
Dignidade e amor
Pra essa gente aguerrida
Dignidade, amor

Acordei o campo para um novo dia
Com o futuro santo, lindos ideais
Acordei o campo pra haver justiça
Flora esperança nos canaviais

Carinhosamente, Pai arraia
No lugar onde arrecifes desenham a praia
Acolhi um movimento, real solução
Mais do que alento, a cura dos ais
Liberdade se conquista com educação
Juntando artistas e intelectuais

Pra fazer a cartilha no cordel
Ensinar do abc à profissão
E buscar na arte a inspiração

Tão bom cantarolar
Me emocionar, estar aqui
Pra ver na avenida
O valor da verdadeira vila
De gente humilde que defende a tradição no seu lugar
Um movimento de cultura popular

Vem sambar no frevo e na ciranda
Silenciar jamais!
Até o galo da madrugada
Se entregou à batucada
Misturando carnavais

22h35 – Salgueiro
É que eu sou malandro batuqueiro
Cria lá do morro do Salgueiro
Se não acredita
Vem no meu samba pra ver
O couro vai comer!

Laroiê, mojuobá, axé!
Salve o povo de fé, me dê licença!
Eu vou pra rua que a lua me chamou
Refletida em meu chapéu
O rei da noite eu sou
Num palco sob as estrelas
De linho branco vou me apresentar
Malandro descendo a ladeira… ê, Zé!
Da ginga e do bicolor no pé
“Pra se viver do amor” pelas calçadas
Um mestre-sala das madrugadas

Ê, filho da sorte eu sou
Vento sopra a meu favor
Gira sorte, gira mundo
Malandro, deixa girar
Quem dá as cartas sou eu, pode apostar!

O samba vadio, meu povo a cantar
Dia a dia, bar em bar
Eis minha filosofia
Nos braços da boemia
Me deixo levar…
Eu vou por becos e vielas
Chegou o barão das favelas
Quem me protege não dorme
Meu santo é forte
É quem me guia
Na luta de cada manhã
Um mensageiro da paz
De larôs e saravás!


23h40 e  – São Clemente
O palhaço o que é?
É doce ilusão
Sonho de criança, pura emoção
De preto e amarelo pintou meu amor!
Hoje tem São Clemente? Tem, sim senhor!

Que confusão, meu Deus do céu!
Foi travessura dos diabos
O bobo irreverente do reino fez piada
A corte encantada aplaudiu
Na feira, em cena a arte
O céu de estrelas ilumina o chão
Espalha por todas as partes
Sorrisos pela multidão
Fascina meninos de qualquer idade
Suspense! O show começou!
Montado na felicidade, surge o palhaço!
O circo chegou!

Alô, alô! Alô criançada, vai ter palhaçada
Quero ver você feliz
Dou cambalhota, pirueta! Se chorar, faço careta
Bravo! A platéia pede bis!

Tá certo ou não tá? Eu vou gargalhar
Oh! Quanta alegria!
Divino dom do riso é carnaval
Na festa dos “reis da folia”
A cara branca, o pastelão!
Cara-pintada, voz de uma nação
Sou saltimbanco brasileiro,
Me equilibro o ano inteiro
Tem marmelada e “faz-me-rir”
Acorda! Esquece a tristeza e vem cantar
“Pelo Telefone” mandaram avisar
O palhaço o que é?
É ladrão de mulher!
Mas tem samba no pé


0h45  Portela
Eu sou a Águia, fale de mim quem quiser
Mas é melhor respeitar, sou a Portela
Nessa viagem, mais uma estrela
Que vai brilhar no pavilhão de Madureira

Voar nas asas da poesia
Rasgar o céu da mitologia
E nessa Odisséia viajar
Meus olhos vão te guiar, na travessia
E no meu destino sem fim
Cruzar o azul que é tudo pra mim
Enfrentar tormentas e continuar, a navegar

Oh leva eu me leva, aonde o vento soprar eu vou
Oh leva eu me leva, sou livre aonde sonhar eu vou

Quisera ir ao infinito
Sentir lugares tão bonitos
Em terras mais distantes me aventurar
Sem saber se um dia vou voltar

E mais além, no elo perdido cheguei
No vai e vem, a chave da vida encontrei

Vou pedir passagemem
Busca do ouro
O seu brilho me fascina
Quero esse mapa da mina, pra achar tesouros
Abre a janela, pro mundo que Paulo criou
Do outro lado, alguém pode ver esse amor
Meus filhos vem me adorar
O Samba reverenciar

1h50 – Imperatriz
Bate forte a emoção
Quero saudar minha raiz
Com todo axé
Eu vou na ginga da Imperatriz

Olorum
A benção de Olorum
Na força dos orixás
Abro meu coração à semente Africana
Ao sabor de tanta tradição
A sombra do Baobá
Deixo a vida florescer
Oh Mãe África sábia detentora de riquezas
De inúmeras belezas
Berço da civilização
Povoada por nobres guerreiros
Africanos altaneiros, nascidos em honra das estações

E o vento soprou, ôôô
Mudando nossa direção
E o mar virou um mar de dor
Entre as correntes da justiça

Mas o filho teu não foge a luta
Escuta o tambor, ecoa a canção
Liberdade, liberdade é a única opção
E nesse chão coberto pelo céu de azul anil
Uma raça se espalha por todo Brasil
Festejando nossa origem, nossa fé
Cirando Umbanda e no Candomblé
Sem qualquer temor só amor e paz
Ainda há muito a melhorar

 

2h55 – Mangueira
Quem me chamou, chamou pra sambar
Não mexe comigo, eu sou a menina de Oyá
Não mexe comigo, eu sou a menina de Oyá

Raiou, Senhora mãe da tempestade
A sua força me invade, o vento sopra e anuncia
Oyá, entrego a ti a minha fé
O abebé reluz axé
Fiz um pedido pro Bonfim abençoar
Oxalá, Xeu Êpa Babá!
Oh, Minha Santa, me proteja, me alumia
Trago no peito o Rosário de Maria
Sinto o perfume, mel, pitanga e dendê
No embalo do xirê, começou a cantoria

Vou no toque do tambor, ô ô
Deixo o samba me levar, Saravá!
É no dengo da baiana, meu sinhô
Que a Mangueira vai passar

Voa, carcará! Leva meu dom ao Teatro Opinião
Faz da minha voz um retrato desse chão
Sonhei que nessa noite de magia
Em cena, encarno toda poesia
Sou abelha rainha, fera ferida, bordadeira da canção
De pé descalço, puxo o verso e abro a roda
Firmo na palma, no pandeiro e na viola
Sou trapezista num céu de lona verde e rosa
Que hoje brinca de viver a emoção Explode coração
Quem me chamou, Mangueira
Chegou a hora, não dá mais pra segurar

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