Poupança tem maior retirada líquida da história para meses de setembro

Posted on outubro 7, 2015

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Poupança tem maior retirada líquida da história para meses de setembro
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06/10/2015 16h23Brasília
Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
Moeda, dinheiro
No mês passado, saques superaram depósitos em poupamça em R$ 5,29 bi Arquivo/Agência Brasil
Pelo nono mês seguido, a poupança registrou perda de recursos. Segundo dados divulgados hoje (6) pelo Banco Central, os correntistas retiraram R$ 5,293 bilhões a mais do que depositaram em setembro. A caderneta registrou a pior captação líquida (diferença entre depósitos e retiradas) da história para o mês.

No mês passado, os brasileiros depositaram R$ 158,178 bilhões na poupança, mas retiraram R$ 163,471 bilhões. O resultado negativo de setembro, no entanto, apresentou leve melhora em relação ao de agosto, quando a captação líquida tinha ficado negativa em R$ 7,502 bilhões.

De janeiro a setembro, os investidores sacaram R$ 53,791 bilhões a mais do que depositaram na poupança, também a pior captação líquida registrada para o período. Nos nove primeiros meses do ano, os depósitos somaram R$ 1,391 trilhão, mas os saques totalizaram R$ 1,445 trilhão.

Nos últimos meses, vários fatores estão provocando a fuga de recursos da poupança. Em primeiro lugar, a alta da Selic (taxa básica de juros da economia) tornou a poupança menos atraente que outras aplicações. Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a caderneta é mais vantajosa do que os fundos de investimento apenas quando as aplicações são inferiores a seis meses, apesar de a poupança ser isenta de Imposto de Renda e de taxas de administração.

A alta da inflação também contribuiu para a perda de atratividade da poupança. Nos últimos 12 meses, a caderneta rendeu 7,78%, o equivalente à Taxa Referencial mais 6,17% ao ano. A inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, no entanto, está em 9,53%, puxada pela alta de preços administrados, como combustíveis e energia. O aumento dos preços e do endividamento dos consumidores também diminui a sobra de recursos a ser aplicada na caderneta.

A fuga de recursos da caderneta provocou problemas no crédito imobiliário porque os depósitos da poupança são usados para financiamento de imóveis. No primeiro semestre, o Conselho Monetário Nacional (CMN) remanejou R$ 22,5 bilhões de compulsórios – parcela que os bancos são obrigados a manter depositada no Banco Central – para evitar a escassez de recursos para o setor.

Edição: Nádia Franco

Motivos

 

#MOTIVOS   (Segundo emcombr)

“No Brasil, os salários são baixos e os custos, muito altos. Por que a energia elétrica aqui é a terceira mais cara do mundo, se a fonte é hidráulica? Os impostos respondem por 42% da tarifa”, aponta o consultor, Eduardo Nery. Para ele, o caminho para aumentar a poupança doméstica é expandir a capacidade produtiva do país, reduzindo custos e burocracia. “O desemprego também é um outro fator que pressiona a poupança, já que, ao ser demitido, o trabalhador saca o seu Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), recurso que financia o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”, diz Nery.

Também pesa no baixo percentual de poupança no Brasil, a demanda reprimida. “O aumento da renda disponível das famílias teve concentração na baixa renda, o que contribuiu para o crescimento do país pelo consumo”, aponta o economista representante de Minas do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Róridan Duarte. Segundo ele, essa é uma tendência natural quando há aumento da renda. Além disso, ele ressalta que o brasileiro, diferentemente de asiáticos, não tem desenvolvido o hábito da poupança.

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