Grécia fecha acordo para se manter no bloco europeu após 17 horas de negociações

Posted on julho 13, 2015

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Grécia fecha acordo para se manter no bloco europeu após 17 horas de negociações

Após uma maratona de mais de 17 horas de negociação, que atravessou a madrugada, os líderes da zona do euro chegaram a um acordo sobre a Grécia. Segundo o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o acordo foi fechado por unanimidade pelos 19 países que compõem o bloco monetário.

O compromisso abre caminho para a negociação de um terceiro plano de resgate à Grécia de cerca de 80 bilhões de euros nos próximos três anos e mantém o país na zona do euro. O novo empréstimo será constituído de fundos do Mecanismo Europeu de Estabilidade financeira e do Fundo Monetário Internacional (FMI). O acordo inclui um projeto de investimentos de 35 bilhões de euros e vai permitir a reestruturação da dívida grega a médio prazo.

O acordo pode ser considerado uma vitória política do presidente francês François Hollande, que atuou como mediador entre o governo grego e a Alemanha. A chanceler Angela Merkel liderou um grupo de dez países que durante todo o final de semana fez pressão sobre a Grécia. O governo alemão chegou a propor uma saída temporária de Atenas da zona do euro.
Medidas draconianas

Segundo Hollande, a Alemanha e outros países queriam garantias de que o governo grego vá cumprir suas promessas. Ficou acertado que o Parlamento grego deve se reunir nas próximas horas para adotar um novo programa draconiano de reformas, que inclui aumento de impostos, cortes e mudanças no sistema de pensões, além de privatizações. Um fundo de ativos gregos de 50 bilhões de euros, que vai ser a garantia do novo empréstimo, será baseado em Atenas. Os bancos gregos, capitalizados pela União Europeia, irão financiar a metade dos recursos desse fundo; a outra metade virá dos recursos arrecadados com as privatizações e investimentos privados.

Hollande explicou que o objetivo do acordo é permitir à Grécia fazer reformas, ganhar em competitividade e ter crescimento no futuro. Hollande disse que acordo foi um teste para a solidez das relações entre França e Alemanha. Segundo ele, “não foi fácil para o premiê grego Alexis Tsipras. “Ele aceitou porque precisa do dinheiro”, afirmou Hollande. Para o chefe de Estado francês, o acordo foi uma demonstração de solidariedade entre os europeus.

Maratona de negociações

Com a fisionomia cansada pela maratona de negociações, o premiê grego, Alexis Tsipras, disse que a Grécia reconquistou sua soberania com esse acordo. “O compromisso permite à Grécia captar novos investimentos para sair da recessão e evitar a falência do sistema bancário grego”, afirmou. “Foi difícil obter o acordo, mas nós conseguimos estancar a transferência de recursos públicos para o exterior e obter uma reestruturação da dívida grega”, acrescentou Tsipras. O premiê disse que o combate foi duro até o fim, mas o compromisso encontrado garante a estabilidade financeira e a retomada do crescimento na Grécia.

Até quarta-feira, o Parlamento grego deverá votar o novo programa de austeridade. Os bancos do país continuarão fechados por vários dias. Nas redes sociais, gregos insatisfeitos com o resultado das negociações falam em “golpe de Estado”, estimando que o governo grego fez concessões demais aos europeus.RfI

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